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Crescimento brasileiro poderia ter um empurrãozinho

Empresas brasileiras precisam focar em sustentar os níveis de engajamento de funcionários, uma vez que o crescimento, outrora rápido, se reduziu consideravelmente.

por Steve Crabtree e Jesus Rios

A economia do Brasil foi - até recentemente -exaltada como um "milagre de crescimento" em meio a uma economia global letárgica[1]. Nos dois últimos anos, entretanto, o crescimento rápido do Brasil - assim como o de outros principais países emergentes - se reduziu consideravelmente, tornando-se uma fonte de preocupação para economistas e políticos. Para eles, o fim dos ciclos de expansão estendidos em países de mercados emergentes sinaliza a necessidade desses países por rebalancear suas economias. Para alcançar crescimento sustentável, países de mercados emergentes precisam passar a contar menos com produção de commodities e exportação, que estão sujeitas à demanda variável entre mercados globais, e mais com fontes internas de crescimento.

Para muitos desses países, aumentar a produtividade dos trabalhadores é uma parte importante para aumentar o crescimento interno. No Brasil, de acordo com um artigo de 2012 do Financial Times, "produtividade laboral... tem crescido a uma média de pouco mais que 1% ao ano nos últimos 15 anos, minando sua competitividade[2]".

Solucionar esse problema significa investir em educação e treinamento de habilidades[3] -- incluindo treinamento de empreendedorismo e alfabetização financeira. Entretanto, isto também requer uma mudança na direção, em empresas existentes, das estratégias de gerenciamento e condições de trabalho que ajudam a maximizar a produtividade e o compromisso para agregar valor a suas organizações.

lhy3aqvsqeeji36tfdgllg.jpgO estudo de engajamento de funcionários da Gallup em 142 países, apresentado no relatório State of the Global Workplace contém notícias relativamente boas para o Brasil. Entre brasileiros que trabalham para um empregador, 27% são engajados, ou altamente produtivos e comprometidos em prover valor para suas empresas. Enquanto que somente 12% são ativamente desengajados e susceptíveis a espalhar negatividade a respeito de sua organização entre colegas de trabalho. Entretanto, há pleno espaço para melhorias; a maior parte dos trabalhadores brasileiros está "não engajada", com falta de motivação e simplesmente "levando a vida" durante a jornada de trabalho. No entanto, a razão entre trabalhadores engajados e ativamente desengajados do Brasil - 2.25 para 1 - é uma das mais favoráveis entre os 20 países da américa latina estudados.

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Os relativamente fortes resultados de engajamento dos trabalhadores brasileiros são acompanhados por um senso maior de otimismo entre a população geral. Por mais de uma década, a economia do Brasil apresentou notável crescimento. Dezenas de milhares de brasileiros escaparam da pobreza durante esse período, conforme a classe média do país se expandia. A análise da Gallup indica que a proporção de brasileiros satisfeitos com o padrão de vida subiu de 66% em 2006 para 77% em 2010 antes de nivelar. As avaliações gerais de vida dos brasileiros refletem seu otimismo econômico; em 2012, 59% deram às avaliações de vida notas altas o suficiente para classificá-la como "próspera," porcentagem entre as mais altas da região.

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Um futuro menos certo para a força de trabalho do Brasil

Se a visão positiva dos brasileiros é sustentável ao longo da próxima década, entretanto, permanece algo a ser visto. Desde a desaceleração econômica do Brasil em 2011, a taxa de desemprego do país começou a crescer. Mais brasileiros procuram por trabalho, e a qualidade dos empregos que podem encontrar afetará como eles vêem suas vidas. A análise da Gallup revela que entre os brasileiros empregados, 48% daqueles que são ativamente desengajados no trabalho estão prosperando em suas vidas em geral, mas 77% daqueles que estão engajados no trabalho estão prosperando. E brasileiros desempregados têm mais chance de estarem prosperando (54%) que aqueles que estão ativamente desengajados - um padrão que a Gallup já viu antes.

Taxas de crescimento decrescentes também têm sido acompanhadas por frustração entre brasileiros que sentem que o governo tem falhado para aumentar o acesso a oportunidades econômicas. Em 2013, irromperam-se protestos generalizados sobre várias queixas, incluindo falta de melhorias à infraestrutura e serviços públicos. As pesquisas de monitoramento da Gallup sugerem que os protestos refletem um sentimento público mais amplo; a satisfação dos brasileiros com serviços de educação e saúde nas cidades ou áreas onde moram tem caido significativamente nos últimos anos.

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Manifestantes têm apontado o dinheiro gasto com as preparações para sediar a Copa do Mundo da FIFA em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 como exemplos de recursos mal empregados. Ainda assim, os eventos são peças centrais do esforço do governo brasileiro de promover a nação como um destino turístico internacional. A contribuição do mercado de viagem e turismo do Brasil no GDP do país cresceu 7.8% em 2012, e a indústria atualmente proporciona cerca de 7.7 milhões de empregos.

Alguns líderes brasileiros esperam que o dinamismo no mercado de turismo, de mão-de-obra intensiva, levará a um expresivo crescimento de longo prazo em empregos no setor de serviços. Os relativamente fortes resultados em engajamento de funcionários do país sugerem que a estratégia pode funcionar - mas vai depender bastante da habilidade de funcionários de frente em satisfazer clientes, um dos mais importantes efeitos resultantes de ambientes de trabalho engajados. Entre trabalhadores brasileiros com empregos em serviços, 28% estão engajados, enquanto que 13% são ativamente desengajados, praticamente idêntico aos resultados de engajamento do país em geral.

Ajudar funcionários a se manterem confiantes em seus futuros.

Ainda há espaço para melhoria em engajamento. Por exemplo, uma empresa brasileira de serviços adotou o engajamento de funcionários como uma importante parte de sua estratégia de negócio, enquanto se expandia geograficamente e ganhava posição de liderança no seu mercado. A empresa tem medido engajamento a cada seis meses e treinado gestores em como criar e implementar planos de ação baseados nos resultados - e seu percentual de funcionários engajados quadruplicou de 2009 a 2013. Mais importante, sua estratégia de gerenciamento focada no funcionário preparou o terreno para alta produtividade e serviço de excelência.

O Brasil continuará a lidar com desafios econômicos nos próximos anos. Para superá-los, será importante para todos os negócios operando no Brasil - de multinacionais a startups - se concentrarem em práticas de gestão que estimulem funcionários a se tornarem engajados em seu trabalho e confiantes em seu futuro econômico.

Gallup


Gallup http://www.gallup.com/pt-br/175820/crescimento-brasileiro-empurr%25C3%25A3ozinho.aspx
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